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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Quarentena, episódio nº 873

19.04.20publicado por Gato Pardo

Querido diário, estou a ficar (mais) louco (do que normalmente já sou).

Acordei e fui fazer o pequeno almoço. Enquanto tinha o pão na torradeira, eu e o microondas discutíamos a minha crescente necessidade de cortar o cabelo e um dia destes ou desfazer a barba ou fazer umas trancinhas com ela, algo que foi apoiado pela máquina de café.

Fui estender a roupa, apanhar roupa e passar roupa a ferro. Acho que até fui tomar banho só para ter mais roupa para colocar a lavar. Será fétiche?

Abri o Spotify à espera de encontrar música adequada para uma quarentena. O que me calhou? Take my Breath Away (uau, nada como salientar um dos sintomas mais graves do Covid 19 numa música para colocar um sorriso nos lábios de um gajo) dos Berlin, Cuts like a Knife (vai muito de encontro ao meu estado de espírito de vez em quando) do Bryan Adams e Barenaked (mas não a passar a ferro, queimaduras localizadas no coiso não) da Jennifer Love Hewitt. Conclusão? O meu Spotify tem um humor ainda mais negro que o meu.

De resto? Um gajo almoça, vê séries, lê como se não houvesse amanhã, fala-se com as pessoas, uns exercícios manhosos para um gajo dizer que tenta pelo menos manter a forma e é isto. A minha vizinha do lado descobriu o Pavarotti dentro de si. Não só porque acha que tem uma voz de rouxinol mas também porque o rouxinol parece que engoliu um camião cheio de lasanhas. A quarentena está a fazer-lhe mal.

Aguardam-se futuros episódios.

 

 

 

 

Dia do beijo

13.04.20publicado por Gato Pardo

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Soube há pouco que hoje é o Dia do Beijo.

Imagino que para muitos de vocês, os vossos primeiros pensamentos recaiam nos vossos cônjuges ou nos vossos filhos. Não é o meu caso. O meu primeiro pensamento foi para alguém que já não caminha entre nós. Com o passar dos anos, aprendemos a lidar melhor com a ausência daqueles que nos são queridos mas nunca nos esquecemos totalmente deles. E eu não esqueço jamais a ternura do teu beijo ou o toque suave da tua mão no meu rosto enquanto sorrias e me dizias que se voltasse a dizer uma asneira à tua frente, partias-me os dentinhos todos.

Apesar do vernáculo extenso e personalidade duvidosa, acho que ficarias orgulhosa daquilo em que o teu neto se tornou. Amo-te muito, avó. Tenho saudades do teu beijo.

Adeus, mestre...

13.04.20publicado por Gato Pardo

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Apaixonei-me pela arte de Noronha da Costa numa visita ao Centro Cultural de Belém uns anos atrás. Não pela quantidade de arte contemporânea que estava exposta nem pelo número de artistas plásticos que estavam a expor os seus trabalhos mas por este sacana deste quadro cuja imagem partilho com vocês. Há artistas que permanecem na nossa alma para o resto das nossas vidas pelas razões mais idiotas. Um gato desfocado, por exemplo. Pensando nisso, Murakami tem o mesmo lugar no meu coração e também envolve gatos.

A escrita e a pintura por vezes caminham de mãos dadas no interior do coração de uma pessoa.

Até sempre, Noronha. Foi um prazer apreciar todas as tuas criações.

 

 

Dissertação sobre uma quarentena (podia ser uma quarentona mas não...) em modo voyeur

13.04.20publicado por Gato Pardo

Hoje podia escrever sobre a Páscoa mais estranha de sempre.

Podia, mas imagino que haja uns quantos milhões de pessoas hoje a escrever sobre isso (outros quantos a masturbarem-se que isto em tempos de quarentena, a coisa deve estar negra...).

Não. Ao invés disso, gostaria de abordar todas as coisas estranhas que vi ocorrer desde que estou em casa a ver Netflix como se a minha vida dependesse disso. Ora vamos lá, rapaziada...

Animais

Nunca vi tanto cabrão de tanto cão a ser passeado 37 vezes ao dia. A coisa chega a um ponto tal de ser cómico que imagino como deve ser se dois cães se cruzarem...

- Como é, Rex? Outra vez?

- Foda-se, tu não me digas nada...Já não suporto este gajo. É a sétima vez que o trago à rua hoje. Se ele amanhã me faz a mesma merda, juro que lhe cago em cima quando ele estiver a dormir.

- Eu já é a quinta vez que venho trazer a minha dona à rua hoje. Estou farto.

- Bem, mas pelo menos sempre é menos que ontem. Está a melhorar.

-Não, eu é que lhe escondi as bolas chinesas e o vibrador e ela passou a manhã toda de cu para o ar pela casa toda à procura deles...

Bricolage

Subitamente, todo o português descobriu que é um mestre da bricolage. O meu vizinho do lado por exemplo, descobriu berbequins, martelos, buchas, tábuas de madeira, serras industriais... Estou à espera do dia de o ver subir as escadas com uma betoneira...tudo isto vindo do gajo que alega que um prego não é mais que um bife mal passado.

Produtos de primeira necessidade

Sim, também eu tive de ir ao supermercado. Sim, também eu fui de máscara, mantive uma distância aceitável para com as outras pessoas e sim, esperei hora e meia para entrar. Mas o conceito de produtos de primeira necessidade é muito variado. Da última vez que lá estive por exemplo, para um senhor esse conceito era mamar à pala todas as notícias dos jornais  e revistas do jet set que estavam disponíveis....hum....espera....está-me a faltar a palavra....ah, sim....para compra. Para outros, é colocar a conversa em dia durante uma hora com o vizinho com quem partilhou uma hora e meia de espera para entrar...no dito supermercado. Enfim, aquelas coisas muito tugas que todos aprendemos a adorar.

Autoridade (e a minha constante sina do meu humor não ser apreciado pelos agentes dela...)

- O sr. sabe porque foi mandado parar?

- Porque o sr. agente me pediu...

- O sr. tem uma razão válida para este veículo estar a  circular?

- Na realidade tenho três. Eu, a chave do carro e gasolina.

Esta foi a parte em que tudo começa a descambar (mentira, já estava tudo no lodo mal me mandaram parar...)

- O sr. sabe que incorre no crime de desobediência por estar a circular sem uma razão válida?

- Sim, mas eu tenho uma razão válida. Está previsto nas excepções que me posso ausentar do meu domicílio para fazer exercício desde que me mantenha perto do mesmo...

- O sr. está a fazer exercício?

- Evitar a atrofia dos músculos das pernas...

- Não está a resultar porque o sr. já está todo atrofiado...

Lixo

É lógico que os portugueses estando mais em casa, produzem mais lixo. Já não tão lógico, é terem perdido por completo a capacidade de colocar o lixo que produzem dentro dos respectivos caixotes. O português traduz desta forma o que lhe vai na cabeça. Demasiada merda que não sabe onde arrumá-la devidamente.

 

Filosofia felina da madrugada (com cerca de 3 anos de atraso, dado o último post...)

05.04.20publicado por Gato Pardo

"Nestes tempos de reclusão voluntária, ler em demasia leva-me a escrever em demasia. Escrever em demasia, leva o lápis e o bloco a navegar pelos cantos mais obscuros da minha mente. O que não éramos (minimamente compatíveis), o que podíamos ter sido (um casal, fosse ele normal ou outra designação qualquer) , e o que acabámos por ser (loucos um pelo outro). Escrevi inicialmente que a reclusão faz-me sorrir, mas não. És tu. Ainda e sempre tu."